No domingo, 5 de outubro, milhões
de brasileiros sairão de suas casas com a responsabilidade de
eleger os novos prefeitos e vereadores que vão governar os
municípios pelos próximos quatro anos. Mais do que uma simples
obrigação, o voto é a maneira mais direta de conseguir mudanças
concretas para as cidades. No entanto, não adianta apenas eleger um
candidato. É preciso acompanhar sua atuação, fiscalizar seu
trabalho, cobrar dele as promessas de campanha.
Você sabe o que faz um vereador?
Votar, cobrar e participar. Para o Movimento Voto Consciente, a
participação do cidadão no processo democrático continua depois das
eleições.
Formado por voluntários em São Paulo no final da década de
80, o grupo acompanha o trabalho de vereadores e deputados
estaduais. Rosangela T. Giembinsky,
vice-coordenadora do Movimento Voto Consciente, fala sobre a
história do movimento e sobre a responsabilidade de cada um de
nós.
Portal do
Voluntário – Como começou o Movimento Voto Consciente, quais
são seus objetivos e sua principal missão?
Rosangela T. Giembinsky - O Movimento Voto
Consciente é uma entidade cívica, apartidária formada por
voluntários.
Em 1987, um grupo de pessoas insatisfeitas com o rumo da política
brasileira iniciou um trabalho de acompanhamento das
atividades dos vereadores na Câmara Municipal de São Paulo. Foi
constatado que não havia debate democrático em plenário, a maioria
não comparecia às sessões, votações e discussões de projetos nas
comissões de estudos.
Devido à efetividade de tais ações, a criação de uma metodologia de
atuação, o Movimento Voto Consciente expandiu sua atuação para a
Assembléia Legislativa de São Paulo e atualmente conta com vários
núcleos consolidados e muitos outros em formação pelo Brasil:
Central(Cidade São Paulo); Ribeirão Preto(SP); Brasília(DF); Pouso
Alegre(MG) e Aquiraz(CE), Santos (SP), Rio de Janeiro(RJ), Campos
de Jordão (SP), entre outros
O Movimento Voto Consciente participa de diferentes programas de
fortalecimento da sociedade civil organizada, junto a outras
entidades e faz parte da Rede Interamericana pela Democracia, a
qual integra 21 países da América em prol do fortalecimento do
papel da sociedade civil na democracia.
A nossa missão é mudar a conduta do cidadão quanto ao seu
papel e responsabilidade na democracia, através da participação
política efetiva. Entendemos que é preciso votar, cobrar e
participar.
Portal do
Voluntário – O movimento, que começou em 1987, partiu de uma
questão simples: o que fazem os políticos para resolver os
problemas da comunidade. Qual a resposta mais comum a esta
pergunta?
Rosangela T. Giembinsky - Hoje, nossos
representantes eleitos se sentem donos do mandato, agem segundo sua
forma de pensar, sem prestar contas. Como não temos a cultura de
cobrar e participar, chegamos ao descrédito em relação à classe
política e a total falta de transparência, além de outros graves
problemas como a corrupção, a ineficiência dos serviços públicos e
de capacitação dos eleitos para apresentar soluções.
Portal do
Voluntário – Como é a atuação de vocês junto às câmaras
municipal e estadual de São Paulo? O que vocês fazem com as
informações levantadas pelo acompanhamento das
seções?
Rosangela T. Giembinsky - Nós entendemos
que para mudar é preciso buscar informação. Vamos levantar dados de
tudo que acontece nas Câmaras e Assembléias, o que fazem e propõem
os vereadores e deputados e depois divulgar para que o cidadão
saiba o que fazem os eleitos para representá-lo. Acreditamos que é
preciso fiscalizar, pois só assim vamos chegar a uma gestão pública
eficiente e de fato voltada ao interesse público.
Portal do
Voluntário – Como foi a reação inicial dos parlamentares
quando vocês começarm a acompanhar o trabalho nas
câmaras?
Rosangela T. Giembinsky - Um espanto! O que
querem? O que pretendem? Estão a mando de quem? Financiados por
quem? Explicamos sempre que estamos apenas “observando”
o que eles estão fazendo para resolver os complexos problemas de
nossos municípios. Quem participa dos debates, quem são os
presentes e interessados, pois não é verdade que todos os políticos
são iguais, tem os que valem a pena, são honestos e têm capacidade
para o cargo que ocupam e aqueles que não sabem nem as competências
da sua função.
Portal do
Voluntário – Hoje, com tantas notícias ruins nos jornais
sobre a atuação de deputados e vereadores, o que seria um voto
consciente?
Rosangela T. Giembinsky - Votar
conscientemente é escolher com informação e depois de uma análise
criteriosa dos candidatos, segundo seus princípios de moralidade,
pensando nas competências necessárias a função e a capacidade e
experiência anterior para apresentar soluções. É preciso também
analisar o partido político e suas metas de ação. Deve ser uma
atitude pensada e dedicada a fazer a nossa parte na democracia, de
forma também responsável.
Portal do
Voluntário – No Rio de Janeiro vemos a participação de
parlamentares em milícias e no crime, além de currais eleitorais
controlados pelo tráfico. Esta situação pode ser
revertida?
Rosangela T. Giembinsky - Certamente, a
educação política e o exercício da cidadania será o caminho, a
sociedade pode estar refém de uma situação, mas tem consciência que
esta situação precisa mudar e só com o fortalecimento das
instituições públicas e da sociedade civil organizada é que teremos
segurança e justiça para todos.
Portal do
Voluntário – Além de São Paulo, o Movimento Voto Consciente
atua em vários núcleos consolidados pelo Brasil. Como multiplicar
este movimento?
Rosangela T. Giembinsky – Hoje
estamos assessorando grupos de Acompanhamento do Poder Legislativo
em todo Brasil, em diferentes regiões, e cresce a cada dia a
procura por ajuda e conhecimento da metodologia e experiência.
Acreditamos que se formos estratégicos, nossas ações serão mais
eficientes e em tempo cada vez menor teremos importantes
resultados.
Portal do
Voluntário – Estamos na reta final para eleger futuros
prefeitos e vereadores. O que dizer para os eleitores, que, muitas
vezes já estão descrentes na política e nos
políticos?
Rosangela T. Giembinsky - Que faz diferença
a dedicação e participação de cada um de nós nos rumos da política.
Também, que precisamos repensar a nossa participação no coletivo, a
nossa responsabilidade social, em qualquer setor que estivermos, é
preciso pensar que os problemas são complexos e não é possível um
salvador da pátria, vamos precisar somar forças para garantir
instituições fortes, e assim, os eleitos não terão como se
corromper diante do poder, e estarão de fato comprometido com a
população.
Portal do
Voluntário – Depois de 20 anos, quais as maiores mudanças
percebidas pelo Movimento na atuação dos
políticos?
Rosangela T. Giembinsky - Pensamos que
tivemos vitórias importantes como: a primeira lei de iniciativa
popular sobre a compra de votos e o uso da máquina administrativa,
Lei 9840, aprovada em 1999. O Voto Consciente faz parte do Comitê
Nacional de Combate a Corrupção Eleitoral, hoje já tivemos mais de
640 políticos cassados e com perda de seus mandatos e campanhas em
todos o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, por compra de
voto.
Iniciamos neste ano a Campanha Ficha Limpa, com novo Projeto de
Iniciativa Popular, que barra a candidatura de pessoas com
processos na justiça, porque cresce a conscientização de que
queremos políticos éticos e que provem ter uma vida pregressa de
valor e comprometimento com as causas públicas. Temos hoje o apoio
de importantes organizações nacionais, juristas e da população,
pois não podemos admitir candidatos que se escondem em seus
mandatos e com sérios processos de improbidade administrativa,
crimes da justiça comum e muitos outros.
Penso que vamos melhorando os mecanismos de participação e de
combate à corrupção, a sociedade civil está mais atenta, e não é
verdade que o cidadão não sabe votar, o processo eleitoral precisa
ser melhorado e os partidos também devem ter mais compromisso com
seus programas e com a lista de candidatos que nos oferece para a
nossa escolha.
Portal do
Voluntário – O Voto Consciente é um movimento de voluntários.
Quantas pessoas estão envolvidas e o que é preciso para
participar?
Rosangela T. Giembinsky - Somos todos
voluntários, temos um grupo de colaboradores das mais diversas
áreas, mas principalmente, somos pessoas que não esperam acontecer,
pessoas que acreditam que é preciso se perguntar o que eu posso
fazer para mudar o que está aí? É muito fácil criticar, o difícil é
apresentar soluções e se tomar atitudes corretas e estratégicas. Os
problemas são complexos, e as soluções envolvem muitas medidas que
nem sempre são apenas novas leis e programas, mas envolvem valores,
e não vamos admitir expressões do tipo: “sempre foi assim e
não tem o que fazer”... expressões muito ouvidas em relação à
política, e que só interessam aos maus políticos. Somamos com
outras ONG que atuam no sentido da educação para o exercício da
nossa cidadania e fazemos parte de importantes redes nacionais para
somar forças, transformar, questionar, fiscalizar e propor
soluções através da nossa participação.
O site é o melhor contato, www.votoconsciente.org.br,
atendemos pedidos e assessoramos grupos do Brasil inteiro, não dá
para dizer quantos somos, crescemos a cada dia...
Bem-vindos a meu espaço virtual.
Olá amiga, olá
amigo!
...
Ler a continuação









João correa Conc
Qui 16 Abr 2009 16:58