Se você é interessado por política,
pode ser que sim. Mas se você só lê as manchetes dos grandes
jornais nas bancas, é pouco provável. Agora imagine quem não le
nada...
Acontece que é temerário não
conhecer, ou pior, fazer de conta que não existe.
Porque? Bem, em 1990, o Lula e o
Fidel começaram um movimento muito sério para a implantação do
comunismo na América Latina. É isso mesmo. Comunismo. Vai me dizer
que isso não existe mais desde 89? Eu também pensava assim. Em 2005
eu descobri o Foro e eu também fiquei perplexa. Pode ficar
portanto. rsrsrs E, depois que se recuperar, leia a carta de Lula
ao encontro do Foro que se deu em Buenos Aires este mês. Você vai
entender melhor.
Carta de Lula ao Foro de São
Paulo - Agosto 2010
Queridas
Companheiras e Companheiros,
Há 20 anos, 42
partidos e movimentos progressistas da América Latina e do Caribe
reuniram-se em São Paulo - convidados pelo Partido dos
Trabalhadores - para um Encontro sem precedentes na recente
história política de nosso Continente. Nascia, assim, o que um ano
depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.
Vivíamos tempos
difíceis no início dos anos noventa. Em muitos países ainda
persistiam fortes marcas das ditaduras que se haviam abatido nas
décadas anteriores sobre nossos povos. Esses resquícios
autoritários impediam a constituição de democracias vigorosas e
dificultavam a luta dos trabalhadores.
Pairava sobre
nosso Continente a hegemonia do ideário do Consenso de Washington:
Primazia do mercado, enfraquecimento do Estado, desregulamentação
das relações de trabalho, sacrifício da noção de desenvolvimento e
de políticas sociais em nome de uma suposta estabilidade, buscada a
qualquer preço, com enormes sacrifícios para os trabalhadores do
campo e das cidades.
A predominância
dessas idéias conservadoras era reforçada pela profunda crise das
referências tradicionais das esquerdas - as comunistas e os
socialdemocratas. Suas políticas não permitiam explicar a realidade
mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.
A reunião de São
Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como
mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de
discussão das esquerdas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem
mesmo em nossos países.
Não criamos uma
nova Internacional. Conhecíamos a história das internacionais e
sabíamos que era mais importante termos um Foro no qual pudéssemos
intercambiar experiências, discutir acordos, mas também
desacordos.
As transformações
pelas quais passaram a América Latina e o Caribe nestas duas
décadas têm muito a ver com os debates que realizamos.
Hoje, nossa
região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte
anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões
do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e
estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na
região como um todo.
Experiências como
a UNASUL e a Comunidade da América Latina e do Caribe são herdeiras
dos debates que levamos no Foro. Elas abrem o caminho para uma
verdadeira integração de nossos países fundadas sobretudo nos
valores da democracia, do progresso econômico e social e da
solidariedade.
Uns poucos tentam
caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária.
É o velho discurso de uma direita que foi apeada do poder pela
vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem
falsamente partidários.
A contribuição de
meu partido e outros partidos progressistas do Brasil para esta
nova realidade do Continente é de todos conhecida.
Nosso Governo
retomou o crescimento, depois de décadas de estagnação. Crescemos
distribuindo renda. Incluímos 30 milhões de brasileiros que viviam
abaixo da linha da pobreza. Criamos 14 milhões e meio de empregos
formais e aumentamos substancialmente o salário real dos
trabalhadores e a renda dos trabalhadores do campo.
Mantivemos a
inflação sob controle. Reduzimos nossa vulnerabilidade
internacional. Não mais dependemos do FMI. E pudemos fazer esta
grande transformação com expansão da democracia, aumento da
participação popular e fortalecimento de nossa soberania
nacional.
O Brasil mudou e
vai continuar mudando nos próximos anos.
Mudou junto com
seus países irmãos do Continente.Mudou como está mudando a
Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São
Paulo.
Recebam, queridos
amigos, o abraço do seu irmão e companheiro
LUIZ INÁCIO LULA
DA SILVA
Presidente da
República Federativa do Brasil.