"Dentro de cada um de nós, uma parte sente uma espécie de horror ao domicílio fixo e deseja vagar pelo mundo, sem pouso. Uma outra sente a necessidade de ter um lugar onde guardar os chinelos, um lar estável onde possa sempre viver. Algumas vezes uma dessas duas tendências prevalece, outras vezes se alternam e em alguns outros casos lutam entre si, sem que nenhuma consiga prevalecer sobre a outra, e isso acaba nos neurotizando.
Com o teletrabalho é possível desempenhar as próprias atividades sem sair de casa, economizando assim o tempo que era gasto para os deslocamentos cotidianos entre lar e o escritório. Mas, se por um lado a tecnologia permite que se trabalhe de roupão, usando telefone, fax e correio eletrônico, por outro as exigências de estudos especializados, de trabalho, de cultura e de lazer impõem cada vez mais frequentemente a mudança de cidade, de país, de um continente a outro. Diminuem, portanto os microdeslocamentos, mas multiplicam-se, em vez disso, os deslocamentos de maior raio de distância e duração.
A experiência do nomadismo difuso obriga a nossa mente a uma dupla elasticidade: a elasticidade mental, necessária para perceber e lidar com a diferença entre pessoas, lugares e momentos diversos, para ver a realidade de ângulos diversos e para resolver problemas inéditos. E a flexibilidade prática, necessária para gerir situações que se transformam, para encontrar o fio que serve de guia à ação mesmo num contexto desorganizado, para transformar os vínculos em oportunidades.
Portanto, superada a secular vida sedentária dos nossos antepassados, só nos resta aproveitar e dar sentido ao nosso destino de nômades pós-industriais, que à viagem física soubemos ainda acrescentar a viagem virtual da Internet."
(Trecho do livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi publicado no Blog Nomade)
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