Voto eletrônico é banido na Holanda  (FATOS RELEVANTES) escrito em quinta 01 novembro 2007 23:51

Blog de cathy :Toca da Cathy, Voto eletrônico é banido na Holanda
Com a decadência da segurança do voto eletrônico, a Holanda foi o primeiro país do mundo a banir as urnas eletrônicas utilizadas naquele país e fabricadas pela empresa Nedap. As urnas brasileiras vêm sendo fabricadas pela multinacional Diebold. É provável que a Holanda tenha dado um exemplo para o mundo, sobretudo para o Brasil.
Antes das eleições de novembro de 2006, a fundação holandesa denominada wijvertrouwenstemcomputersniet, ou seja, "não confiamos em computadores", iniciou uma campanha e um sério debate sobre os riscos do voto eletrônico na Holanda, levando o governo a criar, em dezembro de 2006, duas comissões para investigar o processo eleitoral. Para aumentar a desconfiança da população, em outubro de 2006 um grupo de hackers holandeses mostrou como se poderiam fraudar as urnas eletrônicas.
Há poucos dias, uma das comissões, presidida pelo ministro Korthais Altes, apresentou seu relatório, o qual foi motivo de comemoração por parte da fundação acima citada. Conclusão principal: o voto de papel (cédulas) é preferível ao voto eletrônico, uma vez que torna possível qualquer recontagem de votos, além de ser mais transparente. Contudo, na prática, é reconhecido que há problemas com a contagem de votos de papel. Porém, qualquer fraude numa contagem de votos de papel pode ser verificada e a fraude de urnas eletrônicas, que poderá ser maior, dificilmente é percebida. Portanto, o grande benefício do voto em cédula de papel é o de que o resultado de uma eleição não depende de armazenar votos em memória eletrônica – a qual se torna quase impossível de verificar, como no caso das urnas eletrônicas.
Maior segurança nas eleições
Para reforçar ainda mais a insegurança do voto eletrônco, um juiz holandês declarou há poucos dias que o uso de urnas eletrônicas na Holanda foi ilegal. Com esta decisão, até parece que o juiz confirmou o que a fundação acima citada quis informar a sociedade holandesa: "Não confiamos em computadores." Ora, se as máquinas de votar são inseguras, é mais do que ilegal adotá-las para registrar votos numa eleição.
O governo holandês já declarou que as orientações da Comissão serão aceitas e o voto eletrônico será banido no país. Com isto, a Holanda se junta aos países que estão exigindo maior segurança nas eleições. Na Califórnia, Estados Unidos, o voto eletrônico já foi basicamente rejeitado. No Reino Unido, a Comissão eleitoral deseja parar todos os projetos pilotos sobre voto eletrônico. A Irlanda, por sua vez, rejeitou as urnas eletrônicas por serem inseguras. Québec e Itália decidiram esquecer o uso de computadores em eleições. Com o que aconteceu na Holanda, a Alemanha já começou a questionar a utilização de urnas eletrônicas.
Muitos negócios, pouca transparência
No Brasil, depois de dez anos de propaganda sobre a segurança das urnas eletrônicas, a maioria da população ainda acredita nelas, apesar de duros protestos de alguns poucos especialistas e acadêmicos. São desconhecidas as iniciativas de tornar o sistema de votação eletrônica no Brasil mais seguro e transparente. Por outro lado, dificilmente o Brasil terá as condições econômicas de manter um sistema mais transparente e seguro, no sentido que as urnas eletrônicas possam ser auditadas, verificadas e dotadas da capacidade de imprimir o voto. O custo social é muito elevado. Então, o que fazer? Voltar ao passado?
Se é para não se confiar nos computadores, talvez a saída para o Brasil seja a de adotar uma solução ou um sistema mais simples, seguro e transparente. É só adotar a proposta holandesa: vota-se em cédulas de papel e contam-se os votos através de leitura óptica. Em resumo, vota-se em cédulas e contam-se os votos eletronicamente.
Mesmo banindo o voto eletrônico na Holanda, o governo não deixa de ser criticado e considerado incompetente pelos holandeses, por não ter considerado que as tecnologias existentes não permitem ainda uma votação segura. Ademais, foram gastos milhões com uma tecnologia que só trouxe frustações para a sociedade. Isto vem confirmar o que se percebe neste mundo das tecnologias: muitos negócios e pouca transparência, participação e democracia.
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Por José Rodrigues Filho
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Nota minha: No Brasil, desde que foi instituído o voto eletrônico, especialistas nessa questão iniciaram uma luta - até agora inglória - para alertar os eleitores brasileiros. O site onde estão reunidas as informações sobre nossas urnas inseguras é www.votoseguro.org. Lá você também encontra o texto completo do livro "Fraudes e Defesas" que já está esgotado. A Democracia corre riscos enormes quando sabemos da pouca idoneidade que ronda nossa política.
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4 comentário(s)

  • Tinho

    Seg 05 Nov 2007 23:03

    Engraçado que isso é tão lógico quanto vc cicar num programa do seu PC e abrir outro simplemente porque as refeências dos atalhos estão "corrompidas"... computador tb erra e erra feio.

  • Antonio G Ribeiro mailto

    Seg 05 Nov 2007 18:48

    Lembrar que o Observatorio da Imprensa foi atacado logo após a divulgação deste texto. Será coincidencia? Lembrar que a imprensa burguesa nao publica nada contra o voto eletronico no Brasil

  • paulo drummond

    Dom 04 Nov 2007 21:41

    Não acredito que a volta à cédula diminua as fraudes, pelo contrário. Além disso, as margens de erro são altíssimas e o tempo de apuração seria multiplicado por dez ou mais. Ambos os processos são passíveis de fraude e ambos são verificáveis, desde que se queira verificar.

    A Holanda é um país pequeno, pouco menor que o Estado do Rio de Janeiro, com uma população equivalente à da grande São Paulo, cujos votos dá pra contar manualmente em duas ou três tardes chuvosas Com um pib p/c de US$35k, bastante politizado e com o décimo idh do mundo, não dá pra comparar; é cereja com jaca.

  • Carlos Dias mailto

    Sáb 03 Nov 2007 18:33

    Em verdade, a corrupção eleitoral só irá diminuir quando o Brasil adotar o voto facultativo. Aliás, é um dos pouquíssimos países do mundo em que o voto é obrigatório. Quanto as fraudes eleitorais, acho muito difícil saná-las, pois sempre haverá um "coronel" que irá comandar determinado grupo eleitoral.


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