Comissão aprova mudança no voto eletrônico e irrita TSE  (FATOS RELEVANTES) escrito em sexta 30 novembro 2007 18:02

Uma subcomissão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem quatro projetos que alteram a sistemática do voto eletrônico no Brasil. Os projetos ainda terão que ser submetidos à própria CCJ, mas já irritaram o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, que classificou a mudança de retrocesso. A principal modificação proposta é a visualização do voto na tela da urna. O eleitor poderá conferir seu voto visualmente, sem contato manual. Os votos ficarão registrados na urna e poderão ser submetidos a recontagem física.
Outra proposta prevê a realização de auditoria em 2% das seções de cada Zona Eleitoral, para que haja confronto entre os dados dos boletins da Justiça Eleitoral e a recontagem dos votos materializados. O resultado eleitoral só poderá ser proclamado após a conclusão das auditorias. Os projetos, de autoria do deputado Vital do Rego Filho (PMDB-PB), foram aprovados ontem, por unanimidade, em sessão com a presença de seis deputados.
Além da materialização do voto, o projeto também determina que o código-fonte dos programas de computador utilizados nas urnas eletrônicas sejam abertos para permitir que representantes e advogados de partidos e universidades possam saber como funciona o sistema. Os outros projetos mudam o formato do título eleitoral, incluindo foto e digital, e permitem o voto do eleitor que está fora de sua zona eleitoral.
O presidente da subcomissão, Geraldo Magela (PT-DF), disse que as medidas são necessárias para evitar fraudes:
- Fizemos várias audiências e todos, inclusive técnicos do TSE, reconheceram que não há 100% de confiabilidade na tecnologia de informática. Se o TSE tivesse nos convencido que há outra possibilidade que dê segurança de auditagem, não teríamos caminhado para isso.
O presidente do TSE disse que ficou perplexo com a aprovação da proposta na subcomissão e não poupou críticas aos parlamentares. Para ele, apenas candidatos que já amargaram alguma derrota nas urnas podem ter interesse de modificar o atual sistema de votação. Ele ressaltou que, após a informatização do voto, nenhuma eleição foi questionada com indícios fortes de fraude.
- O TSE vê nesse projeto um retrocesso, uma tentativa de se restabelecer o critério anterior, da cédula em papel. Há algo oculto nessa tentativa de se menosprezar o que hoje é orgulho nacional - disse o ministro.
Ele afirmou que a mudança demandará mais tempo na apuração dos votos. Hoje, os brasileiros podem conhecer os candidatos vitoriosos poucas horas após o fim da votação. O ministro calcula que, com o novo sistema, esse momento poderá ser adiado em até uma semana:
- Vejo incoerência.Vamos ter a auditoria do sistema eletrônico pelo sistema ultrapassado, que é o da cédula de papel.
Para Marco Aurélio, o projeto desrespeita a garantia constitucional de sigilo do voto e, se aprovado, será declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, isso aconteceria se o eleitor verificar a incoerência entre o voto dado e a visualização, e chamar o fiscal eleitoral. Marco Aurélio acredita que a proposta será barrada no Congresso. O deputado ACM Neto (DEM-BA) diz que lutará para derrubar a proposta na CCJ por entender que ela fragiliza a segurança do voto.
Fonte: O Globo por Isabel Braga e Carolina Brígido
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3 comentário(s)

  • Sherme mailto

    Seg 10 Dez 2007 19:36

    Todas essas materias são muito ricas. Em particular estou com saudades da desta ilustre pessoa chamada de Cathy. Abração e boas festas!!!!!

  • Tinho

    Qua 05 Dez 2007 20:05

    Acho que o caminho seja este: a materialização do voto. Não eliminando o voto digital - muito prático, mas tambem fornecendo ferramentas de confiabilidade física para controle - um extrato do voto.


  • Cathy

    Sex 30 Nov 2007 21:09

    Penso que o voto impresso permite ao eleitor saber que dados entraram no sistema. As urnas deixam de ser caixas pretas e portanto frágeis.


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