QUAL A SUA OPINIÃO?

Defendam a Democracia...antes que seja tarde!  (QUAL A SUA OPINIÃO?) escrito em quarta 17 setembro 2008 10:34

Recentemente o Tribunal Superior Eleitoral emitiu a Resolução 22.718 sobre propaganda eleitoral na internet. O artigo 18 da resolução determina que “a propaganda eleitoral na internet somente será permitida na página do candidato, destinada exclusivamente à campanha eleitoral.”

Desde o último mês, pautados nesta resolução, juízes eleitorais de diversos estados estão deferindo pedidos de exclusão de conteúdos na internet, arbitrariamente interpretados como campanha eleitoral. Estes pedidos, até onde tive conhecimento, estão restringindo-se por enquanto ao site de relacionamentos Orkut.

Na prática, a resolução não pode receber outro nome: trata-se de censura. Quem conhece o funcionamento do Orkut sabe que 1) aplicar um banner de um partido ou político em seu avatar ou colocar fotos políticas em seu álbum de fotos, 2) participar de comunidades em homenagem ou apoio a políticos ou 3) debater as questões que interessam à nossa cidade e ao nosso país nos fóruns das comunidades é exercitar livre e individualmente a própria cidadania, porque tais ações equivalem no mundo real a 1) usar um bottom no peito, 2) aplicar um adesivo no carro ou 3) debater política com amigos na mesa de um bar.

Fui impedida de exercer, nesses termos, minha cidadania em um perfil criado somente para a mediação de comunidades políticas (visando proteger meus amigos e familiares da exposição que isso causa, dado o caráter polêmico e – para alguns – passional do tema). Tive o perfil apagado por ordem judicial, juntamente com todos os textos postados por mim em dezenas de debates em comunidades.

A comparação é cabível: fui arrastada para os porões virtuais do que poderia muito bem ser chamado de ditadura.

Os incisos IV e XV do artigo 5º da Constituição Federal nos garantem que: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; e que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

O perfil excluído tinha meu nome e minhas fotos. O número do IP descaracteriza o anonimato na internet. Não faço parte de campanha alguma. Não fui contratada e não recebo nada pelo que escrevo. Não tenho filiação partidária nem vínculo com nenhum político, exceto pelos laços estabelecidos pelas minhas convicções. Sou movida por elas e nada mais. Manifesto-me em qualquer ambiente – real ou virtual – por conta própria, de forma individual. Não violo regras, não cometo nem incito crimes, não faço spam, não faço uso comercial do Orkut.

Nada justifica que meu perfil e o de muitos outros usuários do Orkut – de opiniões políticas iguais, semelhantes ou opostas às minhas – tenham sido deletados. Comunidades inteiras, algumas com debates interessantes acumulados ao longo de mais de quatro anos, foram defenestradas. E as pessoas agora calam-se politicamente no Orkut por medo de terem também seus perfis apagados.

Muitos podem pensar, por desinteresse pela política, por não usar a internet e/ou o Orkut ou ainda por total ignorância do funcionamento da democracia, que isso não lhes diz respeito, já que não estão sendo atingidos neste momento. Enganam-se. A democracia e a liberdade de expressão precisam ser defendidas por toda a sociedade, todos os dias.

Nosso direito à expressão de opiniões políticas na internet precisa ser devolvido.

Daniela Bueno é designer formada pela UFPR, trabalha com desenvolvimento de sistemas e é responsável pelo blog www.brasileirainsone.blogspot.com

permalink

O que está havendo é muito grave: leia até o fim por favor  (QUAL A SUA OPINIÃO?) escrito em sexta 22 agosto 2008 20:48

Escrito por Brasileira Insone em seu blog: Republico o texto da minha colega de orkut aqui porque o que está acontecendo do ponto de vista da Liberdade de Expressão no Brasil é muito grave. Está na hora de tomarmos a única atitude que podemos tomar. Falar sobre o assunto. Leia por favor.

******

Estes últimos dias foram intensos. Tenho tanta coisa a dizer que às vezes parece que estão saindo letrinhas pelos orifícios da minha cabeça.

Eu entendo que muitos estejam fazendo pouco caso do que está acontecendo.

Uma parte destas pessoas se esquece de que este não é um problema que deve preocupar apenas usuários do Orkut.

Trata-se de um precedente que coíbe a manifestação política, a publicidade espontânea do voto de cada um e o debate em busca de outros.

Não importa o ambiente, se é aquele que a gente usa ou não. Importa combater o que está errado mesmo que, num primeiro momento, isso não esteja nos atingindo.

Mas a maior parte talvez não esteja se importando muito porque julga que o Orkut é uma coisa para adolescentes e crianças. Enganam-se. O Orkut é uma ferramenta – nada mais que uma ferramenta – como outra qualquer, como um lápis, como um carro.

Um lápis pode ser usado por uma criança para fazer desenhos, mas também pode servir para um grande homem escrever sua obra-prima e ganhar o Prêmio Nobel. E o mesmo lápis pode servir para o chefe de uma quadrilha enviar um recado aos seus comparsas. Igualmente, um carro pode servir tanto para dar um passeio, como para levar alguém ao hospital ou para assaltar um banco. Tudo depende do uso que se dá.

Em especial, o Orkut é uma ferramenta que propicia 1) o reencontro de pessoas que não se viam há muito tempo; 2) a aproximação de pessoas que têm pensamentos ou interesses afins; e 3) o debate franco sobre qualquer assunto, com todas as vantagens e desvantagens que isso tem.

Por isso, creio que é hora de fazer alarido público e junto à imprensa, sim. O fato de interferirem, da forma como estão interferindo, no Orkut é coisa grave, e deve despertar a atenção dos defensores da democracia e da liberdade de expressão. Essa determinação do TSE simplesmente nos deixou sem ação na internet, como cidadãos. É um descalabro que a justiça impeça que os cidadãos declarem publicamente seus votos (como muitos faziam no seu avatar) em um ambiente privado (sim, o Orkut, embora virtual, é um ambiente privado – já volto a falar sobre isso). É como se entrassem no nosso quintal e dissessem: "não, vocês não podem usar bottons do candidato de vocês, nem balançar bandeiras etc".

Estas coisas costumam funcionar como dominó (se não pode isso, também não pode aquilo; se não pode aquilo, aquele outro também não etc.), como já estão funcionando: hoje à tarde foram apagados mais perfis de nossos amigos, incluindo um em homenagem ao Mário Covas, sem banner nem nada – que, me digam, o que tem a ver com o peixe da eleição deste ano?

Segundo o que estamos vendo acontecer, perfis que simplesmente tenham banner do candidato e/ou seu número estão sendo apagados. Então pergunto: e campanha contra, pode? Por exemplo, se eu quiser colocar um banner com Eu não voto em corruPTos, ou quiser colocar Fora Marta ou Fora Gleisi, aí pode? E se eu colocar Geraldo Alckmin Prefeito ou Beto Richa Prefeito no meu sobrenome, aí pode? E se eu pedir votos para as pessoas nas comunidades, mesmo sem ter nada no perfil, pode? Como é que vão vigiar tudo isso? E qual é a diferença entre isso e usar um botton no peito e sentar na mesa de um bar e tentar convencer os amigos a votar no meu candidato? Ou vão querer vigiar isso também? E se eu copiar e colar (com a fonte) a notícia boa e/ou ruim sobre um candidato de um jornal, revista ou portal de emissora de TV num tópico? Ou copiar e colar o comentário do blog de um jornalista de opinião, favorável a um candidato, numa comunidade? Isso não é fazer campanha na internet também? Ou até o jornalista no blog dele vai ser censurado? Por que é que pode elogiar um candidato no blog dele não pode copiar a opinião dele para cá ou espalhá-la no Orkut? Como diferenciar o que é fazer campanha do que não é? Ou só pode se manifestar "politicamente" (?) na internet quem é jornalista ou ainda não tem certeza de em quem vai votar?

Vou dar o exemplo do meu caso. Não estou oficialmente na campanha de qualquer político. Escrevo o que escrevo e falo o que falo POR CONTA PRÓPRIA, de forma INDIVIDUAL. Nem filiada sou. Não fui contratada, não recebo nada por isso e duvido que os partidos e políticos tenham a menor noção de que eu existo. Não tenho vínculo com nenhum partido ou político, exceto os estabelecidos pelas minhas convicções: sou movida POR ELAS E NADA MAIS. Portanto, já fiz minhas escolhas e tenho lado. E eu não posso manifestar isso no Orkut, usando um banner na minha foto, criando e gerenciando ou ao menos participando de uma comunidade para demonstrar minhas posições e debater os assuntos desta eleição? Não posso criar um perfil exclusivamente para isso, com o intuito de proteger minha intimidade e também meus amigos e familiares das ameaças que já recebi no meu primeiro perfil?

Controles como este que estão tentando impor, nem a própria ditadura militar conseguiu. Para banir de vez a campanha política no Orkut, seria necessário apagar todo o conteúdo da categoria "Política", já que a subjetividade de interpretação é vastíssima. Aí nós ficaríamos em outros fóruns do Orkut, debatendo as melhores maneiras de fazer uma bola de chiclete. Belo país estaremos construindo! E os blogs de opinião, então, terão que publicar desenhos animados e poesias. Quem tem mais de 40 anos sentiu arrepiar os pêlos da nuca, não é?

Antes de terminar este post, é preciso esclarecer uma coisa: o Orkut é um ambiente privado. Quem manda nele é o pessoal que gerencia o Google/Orkut. Nós estamos lá por comodato. Se, do dia para a noite, o próprio Orkut decidir que não quer mais debates políticos (ou religiosos ou sobre futebol, que são os três grupos que mais dor de cabeça dão para eles – e nenhum lucro) no seu espaço, estarão em pleno direito. Seria até compreensível, já que dá para entender perfeitamente que é pesado demais para o Google/Orkut, juridicamente falando, carregar como missão social a manutenção de assuntos tão polêmicos.

Mas, profissionais que são, duvido que os responsáveis pelo Google/Orkut decidissem tal coisa sem um aviso prévio razoável, como se fossem a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas gritando "cortem-lhe a cabeça!". Ainda assim, não caberia chamar esta situação de censura, e nós não poderíamos impor nossas expressões políticas por lá, cabendo-nos apenas lamentar, fazer back-ups e procurar outro espaço.

Acontece que esta imposição vem de fora. E seria feita mesmo que estivéssemos em outro site de relacionamentos. É claro que o Orkut incomoda mais porque é mais freqüentado, mas, tão logo outro ambiente se tornasse vultoso, sofreria as mesmas sanções.

Eu realmente não sei o que fundamenta esta resolução do TSE. Num país cuja maior mazela é o desinteresse político das pessoas e o afastamento dos cidadãos de bem dos assuntos públicos, a internet se tornou o lugar perfeito para estimular, seduzir e reaproximar as pessoas do tema, dado seu caráter ao mesmo tempo democrático e meritocrático, que dá abrigo a todos sem discriminações de cor, classe, gênero, religião ou idade, fazendo sempre destacar aquilo que realmente tem melhor qualidade.

Estas características tornam a internet atrativa a pessoas de todo nível de qualificação, puxando os debates para cima, uns aprendendo com os outros. E o Orkut, vastamente utilizado pelos jovens, tornou-se um local de especial fertilidade para o assunto. Será que, como disse meu amigo Thiago (ver posts abaixo), temem o envolvimento do jovem ou de mais setores da sociedade com a política? Temem o debate? Céus, mas tudo do que mais precisamos é debate! Debate entre candidatos, debate entre ideologias político-parditárias, debate de idéias, enfim, coisas que, pela legislação atual, já não podemos ver mais na TV ou ouvir no rádio, já que tudo virou panfletagem simplória.

Como é que o eleitor vai escolher direito, se está tudo amarrado? Se não é possível saber quem é melhor ou pior, já que plastificaram todos do mesmo tamanho, com este maldito isentismo que é parcial, pois quer que desiguais pareçam iguais?

Entendo que os únicos perfis ou textos que, sendo políticos ou não, devem ser cerceados em qualquer parte, não só no Orkut, são os que cometem ou fazem incitação ao crime (como venda de drogas, referências diretas a grupos armados e milícias etc.), pedofilia e propaganda nazista. Defendo veementemente a liberdade plena de expressão de opinião, sobretudo a política. Sobretudo num país que padece da falta de interesse da sociedade com o assunto. Sobretudo num país onde os maus avançam porque os bons silenciam.

Não silenciem. Não nos deixemos silenciar.

permalink

Falando sobre o Dr. Walter Loewenstein - Meu pai  (QUAL A SUA OPINIÃO?) escrito em sábado 16 agosto 2008 15:47

Blog de cathy :Toca da Cathy, Falando sobre o Dr. Walter Loewenstein  - Meu pai
Por Marta Loewenstein*
Ele tinha o maior orgulho de tudo que havia construído e conquistado na Aliança Metalúrgica (que ele chamava simplesmente a Fábrica). Estas conquistas conseguidas a duras penas eram batalhas diárias com seu pai, Max Loewenstein, que, sempre que podia, restringia as verbas para os melhoramentos que queria introduzir na Fábrica. Mas ele conseguia convencer o pai. Tinha sempre bons argumentos e sabia como tocar o “orgulho” do pai. Em 1960 a Fábrica era a quinta melhor do Brasil na área de metalúrgicas.
Meu pai era um excepcional observador de pessoas. Percebeu que os empregados, na segunda-feira, chegavam cansados e aconteciam muitos acidentes, principalmente se o Corinthians ganhasse o jogo do domingo:  era o efeito comemoração.

Então introduziu um novo horário de trabalho: na segunda podiam chegar uma hora mais tarde – a taxa de acidente reduziu-se drasticamente.

Havia um grande refeitório e sempre muito limpo. Os empregados almoçavam refeição preparada sob um cardápio elaborado por nutricionistas (já na década de 60!) e pagavam o equivalente a centavos de cruzeiro, que era descontado do salário – hoje são os tickets refeição. Ele também almoçava lá. Não havia separação entre empregados e a Diretoria.

Mas ele reparou que os empregados ficavam muito anciosos pela chegada do horário do almoço e quando a sirene tocava, saiam correndo para o refeitório. Alguma coisa não estava certa!  Acabou descobrindo que a maioria saía de casa sem tomar o café da manhã! Então introduziu o “café da manhã”. Os empregados chegavam 10 minutos mais cedo e recebiam, livre de custos, um belo copo de café com leite e um pão com bastante manteiga. Acabou a correria para o refeitório na hora do almoço e todos trabalhavam bem mais animados no período da manhã. Obviamente também diminuiu mais ainda a taxa de acidentes.

Na linha de produção mais leve, principalmete polimento e montagem de fechaduras, ele empregava cegos, surdos e mudos, cadeirantes – eles eram mais dedicados. E mulheres que tinham mãos mais delicadas e não quebravam as peças menores.

Mas estas mulheres também eram mães. Então montou-se uma creche, ali mesmo dentro da Fábrica. Todas as mães podiam, a cada duas horas,  ver e amamentar seus bebês. Era um espaço muito aconchegante e os bebês cuidados por enfermeiras e assistentes de neo-pediatria. Ninguém ficava ansioso, nem a mãe nem o bebê.

Os empregados, às vezes, ficavam doentes. As filas do Serviço Médico do Sindicato dos Metalúrgicos e do IAPI eram piores do que as atuais filas do INSS. Um serviço médico dentro da Fábrica ficava bem mais barato e o empregado não faltava ao serviço. O plantão de 24 horas era coberto por enfermeiros/as diplomados e todos os dias médicos, a cada dia uma especialidade, atendiam os empregados com hora marcada, para que não precisassem  abandonar seu posto de trabalho para enfrentar filas. Alguns tinham problemas dentários: meu pai montou um gabinete dentário e colocou o primo dele, Dr. Arne Koblinski, um bom dentista, para atendimento dentário. Era tão bom o serviço que até eu fazia meu tratamento lá.

Se o empregado tinha algum problema familiar ou emocional era atendido pela Assitente Social ou pelo Psicólogo, que estavam todos os dias trabalhando junto ao Departamento Pessoal. Se tinha problemas financeiros podia pedir um adiantamento sobre o salário. E tinha um empréstimo a longo prazo para construção de casa própria.

Como não haviam ainda os tickets alimentação foi montada uma cooperativa onde os empregados compravam alimentos e roupas e o valor era descontado da folha de pagamento. Mas estes alimentos e roupas eram repassados a preço de atacado. A Cooperativa não visava lucro!

Muitos empregados moravam longe: dois ônibus da Fábrica iam buscá-los.

No Jaçanã não existiam jardins de infância. Ele construiu um nos fundos da Fábrica com muitos aparelhos de recreação para os filhos dos empregados.  Eu adorava ir lá. Já tinha oito ou nove anos mas parecia que o Jardim havia sido construído para mim! E tinha um nome parecido com o  meu: Martha Löwentein, que era minha bizavó. Claro que os pais das crianças também podiam brincar! Um belo campo de futebol e outros atrativos para adultos estavam à disposição deles fora do horário do expediente.

Uma Lei nova instituiu as CIPAs - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, no Brasil. A da Aliança foi uma das primeiras a ser instituída e meu pai participava da maioria das reuniões. Muitas boas idéias surgiram destas reuniões, e o empregado que as tinha sugerido, se elas se mostrassem exeqüíveis, ganhava prêmios, que podiam ser até em dinheiro!  Adotou-se o uso dos turbantes para todas as mulheres, seus cabelos não encostavam nas máquinas e não sujavam!

O SENAI estava sendo montado, não tinha ainda oficinas para treinar os alunos. Meu pai ofereceu a oficina de ferramentaria para que dessem aulas à noite quando as máquinas ficavam ociosas. Foi uma das primeiras oficinas do SENAI no Brasil.

Um aluno muito esperto e inteligente, que meu pai elogiava muito, tomava duas conduções para chegar à Fábrica. Quase não perdia aula. Nos ônibus de São Bernardo até o Jaçanã ele aproveitava para estudar, ou dormir, quando estava muito cansado. Numa noite um dos seus colegas cochilou sobre uma das máquinas e ele se acidentou. Perdeu o dedo mindinho num dos tornos. Meu pai cuidou para que ele tivesse a melhor assistência. Ele se formou como ferramenteiro e foi trabalhar em São Bernardo. Lá percebeu que nenhuma fábrica tinha o que ele havia visto na Aliança.

Alguns anos mais tarde este menino virou lider sindical e “bagunçou” a vida do Brasil. Tanto fez que chegou à Presidência deste país.

O nome dele?  Luis Inácio da Silva, que ainda não era Lula!

* Marta é poeta, fotógrafa e orquidófila

permalink

A nova Veja  (QUAL A SUA OPINIÃO?) escrito em terça 29 julho 2008 10:17

Por Daniela: http://brasileirainsone.blogspot.com/2008/07/nova-veja.html

A Veja com a nova diagramação chegou na minha casa ontem. Fui correndo conferir a nova carinha.
A primeira impessão é a estranheza: desde que me conheço por gente, as páginas amarelas eram "daquele jeitinho". De repente, apesar do mesmo amarelo (um pouquinho mais claro, para falar a verdade), está tudo em lugar diferente. É estranho mesmo. Mas a gente se acostuma com o tempo.
O que me motivou, entretanto, a escrever este post são outras observações que me deixaram muito satisfeita. A primeira coisa é o índice, que agora divide espaço meio a meio com a edição da revista na internet. Veja (de papel) e Veja.com foram colocadas no mesmo nível. Isso significa que os conteúdos on-line (além da revista on-line) deixaram de ser apresentados como apêndices da versão impressa, e passaram a ser considerados tanto quanto, no mesmo nível da própria Veja de papel.
Aí veio a surpresa na página 51: uma página para a blogosfera! Que maravilha! Finalmente veículos estabelecidos estão oficialmente absorvendo este canal de comunicação, que nasceu como um utilitário de adolescentes. Quer dizer, além do índice compartilhado entre real e virtual, uma outra página, em separado, oferecendo nada mais nada menos que seis links de blogs que estão (e já estavam antes) hospedados no site da revista.
Mas o mais gostoso veio na página 145. É uma propaganda. A priori, nada a ver com a Veja, se não fosse o fato de que a propaganda é de um evento realizado pela Revista Info e pela própria Editora Abril. A propaganda é sobre o Seminário "Redes Sociais – A nova mídia e o consumidor", que ocorrerá no dia 18 de agosto em São Paulo. Subtítulo da propaganda: "Veja como usar o Orkut, Youtube e cia. a favor dos seus negócios". Uau! Até o Reinaldo Azevedo estará participando.
O paralelo é o seguinte: uma nação pode se declarar independente, mas isso não faz a menor diferença se o resto do mundo não reconhecer esta independência. A internet, as redes sociais, os blogs, os comunicadores instantâneos, tudo isso MUDOU a forma das pessoas se relacionarem e das informações circularem – e serem absorvidas. Faltava o mundo real reconhecer isso. Veja dá um passo nesta direção com o que vi na última edição. Coincidentemente, o Fantástico, que quando falava em Orkut era sempre em sentido criminalizante e depreciativo, neste domingo utilizou-se dele para dar exemplos de como as mães vêem e relacionam-se com suas filhas.
Para quem há muito vem martelando na questão da relação da internet, especialmente de instrumentos pouco considerados, como o Orkut e os blogs, com os meios de comunicação, esta Veja foi um manjar dos deuses. Só para citar, um pedacinho de um texto meu de 2006: "A internet e sua interatividade alterou completamente a relação dos meios de comunicação com os cidadãos.A internet é mais veloz, mais plural e mais dinâmica. É um poder construído coletivamente, e não um poder que é monopolizado porque emana de um centro.
Não adianta ter um portal. Isso não é ESTAR na internet. Estar na internet é INTERAGIR com o mundo que circula nela. É RESPEITAR a existência da pluralidade, da diversidade, de outros pontos de vista. É RECONHECER que fatos menos interessantes, num primeiro momento, podem se tornar temas centrais de debate na sociedade se estiverem circulando na internet."
Ah, por último – e para voltar ao assunto do post: adorei a nova letra da Veja. Ela é um pouco condensada para compensar o fato de ser maior, fazendo com que o mesmo tanto de texto continue cabendo no mesmo espaço de antes. Mas este tantinho a mais no tamanho que colocaram no corpo da letra deu um plus enorme para quem lê a revista fazendo esteira na academia, como eu.
Nota da Cathy: Essa nova categoria do meu blog é para você se expressar. Se você também tem interesse na Internet, e pensa e escreve a respeito, seu lugar é aqui. Mande sua contribuição para catherine.henry@agenciaeletronica.net
permalink
|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para cathy

Precisa estar conectado para adicionar cathy para os seus amigos

 
Criar um blog