Voluntariado on-line significa serviço
não pago, prestado via internet. É um
método de voluntariado que venho usando, estudando,
documentando ou promovendo desde 1995, primeiro de forma
independente, em seguida com o "Projeto de Voluntariado Virtual" e
com o Serviço de Voluntariado on-line das
Nações Unidas. Também é conhecido como
voluntariado virtual, monitoria on-line, e-monitoria,
e-voluntariado, cyber voluntariado, cyber serviço,
telemonitoria etc. Agora, depois de 10 anos fico surpresa em ver
como muitos mitos continuam por aí a respeito desse
conceito.
Eis uma lista dos 12 mitos mais comuns e minha
tentativa de confrontá-los.
1. E-voluntariado é bom para quem
não tem tempo de ser voluntário
presencial.
Falso: esse é
provavelmente o mito mais chato de todos a respeito dessa
prática. E-voluntariado demanda tempo real e não
tempo virtual. Se você não tem tempo para ser um
voluntário na vida real, você provavelmente não
tem tempo para o e-voluntariado. O e-voluntariado não
deveria ser promovido como uma alternativa ao método do
voluntariado para aqueles que não tem tempo para o
voluntariado presencial.
Ao contrário, o que atrai as pessoas para
o e-voluntariado é:
- outra forma para uma pessoa ajudar uma
organização para a qual ela ja contribui
presencialmente;
- é um meio alternativo para uma
pessoa que não pode exercer o voluntariado no local, (apesar
de ter tempo para o voluntariado), pois não pode deixar sua
casa ou seu local de trabalho;
- permite que pessoas com deficiências,
com problemas motores, ou pessoas que não podem deslocar-se
facilmente, exerçam atividades voluntárias;
- permite que uma pessoa contribua para uma
causa de grande importância para ela, mesmo que essa
causa não esteja localizada em sua área
geográfica ;
- permite que uma pessoa ajude uma área
geográfica para onde ela não pode ir.
2. As pessoas que prestam voluntariado
on-line não o fazem presencialmente.
Falso: de acordo com pesquisas
feitas pelo "Projeto de Voluntariado Virtual" nos anos 90,
assim como com evidências na prática de várias
organizações, a grande maioria dos que prestam
e-voluntariado também exerce voluntariado presencial em suas
cidades ou região, e freqüentemente para as mesmas
organizações nas quais já atuam
presencialmente.
3. Pessoas que exercem o e-voluntariado
o fazem para organizações que estão
geograficamente distantes.
Falso: a maioria dos
e-voluntários são pessoas que também exercem o
voluntariado presencial para a mesma organização; por
exemplo, um designer gráfico que doa seu trabalho para fazer
um relatório anual, pode encontrar a diretoria da
organização para uma reunião de trabalho, mas
executa a maior parte do trabalho em sua casa ou no computador de
seu local de trabalho. Além disso, a maior parte dos
e-voluntários procura oportunidades que estão na
mesma área geográfica assim como o fazem aqueles que
procuram oportunidades presenciais. Porém, é um fato
que existem milhares de e-voluntários que procuram
oportunidades de e-voluntariado a distância, e o
Serviço de Voluntariado on-line das Nações
Unidas é uma excelente via para encontrá-las.
4. As pessoas que exercem o
e-voluntariado são jovens, com posses e moram nos
EUA.
Falso: os e-voluntários
são de todas as idades, são pessoas que sabem usar a
internet de forma autônoma (normalmente começam a
partir dos 13 anos), com diferentes níveis educacionais e
profissionais, e de varios países, nacionalidades ou
raças. Conclusões do Projeto das Nações
Unidas indicam que mais de 40% dos e-voluntários são
de países em via de desenvolvimento. É claro que cada
organização de voluntariado on-line terá suas
próprias conclusões relativas a sua própria
atuação geográfica. Resumindo, não se
pode fazer generalizações a respeito de quem
são os voluntários on-line.
5. Pessoas que exercem o e-voluntariado
são muito timidas e têm dificuldades para interagir
com outras.
Falso: como já dito
anteriormente, e-voluntarios são, na maioria, pessoas que
atuam como voluntários presencialmente. De fato, é a
fome por interação que leva a pessoa a ser
voluntária presencial ou virtualmente.
6. E-voluntarios engajam-se
principalmente em tarefas relaionadas com a
tecnologia.
Falso: e-voluntários
engajam-se em vários tipos de tarefas não
relacionadas com a tecnologia, tais como publicidade, planos de
negócio, desenvolvimento de relações humanas,
captação de recursos, relações
públicas, pesquisas e facilitações em
discussões on-line. A investigação dos
anúncios de e-voluntariado postados no Serviço de
Voluntariado on-line das Nações Unidas, mostra que
50% ou mais dos anúncios não são relacionados
com a tecnologia.
7. O e-voluntariado é
impessoal.
Falso: interações
on-line são bastante pessoais. em muitas
circunstâncias, pessoas preferem compartilhar
informações e sentimentos on-line do que
fazê-lo presencialmente. Da mesma forma, compartilham com
mais facilidade fotos de família ou acontecimentos privados
pela internet do que o fariam em um almoço entre
voluntários. Voluntários on-line com os quais tenho
trabalhado são pessoas reais e não virtuais. Festejo
quando se casam, ou se formam ou ganham nenê ou conseguem
emprego e choro quando morrem ou quando perdem um ser amado.
8. Entrevistar voluntários
potenciais presencialmente é muito mais confiável do
que entrevistá-los via internet.
Falso: ambos os métodos
de entrevista têm forças e fraquezas. Em certas
situações um método pode ser mais apropriado
que o outro, mas ambos são eficazes. Falei com muita gente
presencialmente que demonstrou entusiasmo e interesse em tornar-se
e-voluntário e solicitou informações sobre
como começar e que nunca deu sequência. Enquanto que
pessoas on-line podem mostrar interesse, compromisso e espertise
quase que imediatamente, respondendo e-mails prontamente e com
boa redação.
9. A internet é perigosa e
conseqüentemente o e-voluntariado traz muitos riscos à
organização e a seus clientes.
Falso: a internet não
é nem mais nem menos perigosa do que o mundo off-line.
Quando uma pessoa (incluindo crianças) é prejudicada
em atividades na internet é porque ela (ou seus pais)
não tomou medidas de segurança apropriadas.
Estranha-me o fato de que pais que nunca permitiriam que seus
filhos fossem brincar num ponto de ônibus, permitem que os
mesmos freqüentem salas de bate-papo sem sua
supervisão. Há inúmeras
informações sobre como tornar a prática de
e-voluntariado segura (incluindo tutoria on-line) no Projeto de
Voluntariado Virtual.
10. O maior obstáculo para o
e-voluntariado é a falta de acesso a internet.
Falso: para as
organizações, o maior obstáculo para o
envolvimento bem sucedido de e-voluntários é a falta
de experiência em gerenciamento de práticas de
voluntariado. Se uma organização não sabe como
envolver efetivamente os seus voluntários presenciais,
também não é capaz de fazê-lo na
modalidade on-line.
11. Há muito o que se fazer ainda
para conseguir mobilizar pessoas para o
e-voluntariado.
Falso: há muito mais
gente querendo ser e-voluntária do que oportunidades
oferecidas. Há muito mais o que fazer, isso sim, para ajudar
as organizações a capacitarem-se para a
administração de voluntários e a incorporarem
informações sobre o e-voluntariado em suas
capacitações.
12. E-voluntariado é um conceito
muito novo.
Falso: o e-voluntariado existe
desde o inicio da internet que nasceu a mais de 40 anos. Tim
Berners Lee, em um evento on-line dos voluntários das
Nações Unidas ocorrido em Genebra em 2001, destacou o
papel que os voluntários tiveram no desenvolvimento da rede
mundial de computadores, pessoas que doaram seu tempo e sua
experiência para uma causa na qual acreditavam, trabalhando
juntos via internet.
Traduzido do inglês por mim, esse
texto faz parte do acervo de Jayne Cravens (na foto), consultora
especialista em e-voluntariado. Visitem seu site, em
inglês: www.coyotecommunications.com