CIDADANIA ELETRÔNICA

Tributo a uma princesa morta  (CIDADANIA ELETRÔNICA) escrito em terça 24 julho 2007 15:50

Blog de cathy :Toca da Cathy, Tributo a uma princesa morta
Ilustração: tela de Aimé Venel "La Belle au Bois Dormant" 
De

Luiz Carlos Sell

Especial para a Folha de São Paulo

Mariana foi condenada à morte. Condenada e executada sem chance de qualquer defesa. Seu crime? Ela teve a audácia de desafiar a incompetência, imprevidência, irresponsabilidade e descaso das nossas autoridades dirigentes, dos órgãos (ir)responsáveis, de um presidente da República tíbio e oscilante na resolução de um problema que todo cidadão medianamente informado tem como resolver.

Mariana comprou uma passagem aérea no vôo 3054 da TAM. Comprou assim a sua pena capital. Voou até Porto Alegre para uma entrevista com a finalidade de assumir um emprego numa ONG internacional, cujo objetivo é a defesa dos direitos humanos no planeta. Mariana era advogada, especialista em direito internacional na área de meio ambiente e intransigente na defesa da água como direito da humanidade. Tinha um currículo invejável e era respeitada internacionalmente em vários países onde proferiu conferências, publicou trabalhos e participou dos grandes colóquios sobre o assunto.

Não voltou para casa. Foi executada criminosamente junto com aproximadamente 180 pessoas ao embarcar em um avião que previamente se sabia ser portador de um defeito mecânico. A pergunta que sempre fica nessas circunstancias é: DE QUEM É A CULPA? Infraero, Anac, Cindacta, Decea, FAB, ministros, presidente Lula, companhias aéreas? Essas são algumas das entidades (ir)responsáveis pela aviação civil no país.

Onde estão as autoridades dirigentes que, há nove meses, desde o acidente aéreo com o avião da Gol, vêm assistindo à crises sucessivas no setor aéreo, constituindo-se no caos administrativo, cujo resultado são os péssimos serviços oferecidos àqueles que por ventura necessitam utilizá-los? Fruto do progresso, do desenvolvimento, ministro Mantega? Relaxar e gozar ou, mais apropriadamente, relaxar e morrer, sexóloga Marta Suplicy? Bem, não é culpa do governo e, sim, da companhia aérea. Que se fo..., não é ministro Marco Aurélio Garcia? E o que acha disso tudo o presidente Lula?

A sociedade brasileira precisa dar um basta a esta situação. Somente nosso grito pode acordar os torporosos dirigentes. Não há comando. Estamos ao sabor da procela. Quero neste momento de dor me solidarizar com os familiares das vítimas desta catástrofe. Unidos, nosso grito de dor e de revolta será mais forte.

A minha princesa Mariana, estou certo de que encontrou a paz. Condenaram-na à morte e a executaram. A linda pessoa que era, cheia de vida e projetos, devolveram-me sob a forma de um pedaço de carvão. Que a morte dela não tenha sido em vão. Suscito a todos que lerem este texto que lutem e mostrem sua indignação com os fatos ocorridos, para que outras pessoas não paguem com suas vidas pelo descaso e o desrespeito das autoridades.

Adeus, minha princesa. Deus está contigo. Nós te amamos.

LUIZ CARLOS SELL é pai de Mariana Suzuki Sell, passageira do vôo TAM JJ 3054.
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Denúncia muito grave!  (CIDADANIA ELETRÔNICA) escrito em sexta 06 julho 2007 16:10

Blog de cathy :Toca da Cathy, Denúncia muito grave!

Fonte 

De uma seção didática, voltada para o público infantil, no site de uma instituição como a Presidência da República, deve-se esperar, no mínimo, duas coisas: primeiro, que ela seja educativa e, segundo, republicana. Não é o que acontece no site da Presidência da República Federativa do Brasil.

Em artigo publicado em "O Estado de S.Paulo", o historiador Marco Antonio Villa fez uma breve relação dos erros e distorções ideológicas que compõem a "Versão para Crianças" do site da chefia de Estado e de Governo. No âmbito educacional, trata-se de um problema grave. Em vez de propiciar uma formação para a cidadania, o site tem um caráter desinformativo.

É melhor começar comentando os erros, pois eles são tão crassos que não há como discuti-los. O site diz que a primeira Constituição do Brasil data de 1822, o ano da Independência. Na verdade, ela foi outorgada por dom Pedro 1º à nação dois anos depois, em 1824.

Do mesmo modo, afirma-se que o Duque de Caxias participou do afastamento de dom Pedro 2º. Quando a República foi proclamada, em 1889, Caxias já estava morto havia oito anos.

Ao chegar à história recente do país, os erros fatuais abrem caminho para a eclosão das distorções ideológicas, que não são poucas. Por exemplo, afirma-se que "em maio de 1978, ocorreu a primeira greve de operários metalúrgicos desde 1964". As greves dos trabalhadores de Osasco e Contagem, dez anos antes, parecem não vir ao caso.

Aliás, nada parece vir ao caso nos últimos 30 anos, se não se relacionar com Lula. Como bem notou Villa, o site transforma o atual presidente num "personagem onipresente na história do Brasil", nessas últimas três décadas. Tanto que Luiz Inácio da Silva é proclamado o líder "da mobilização nacional contra a corrupção que acabou no impeachment do presidente Fernando Collor".

Trata-se de um exagero. Lula contribuiu, sim, para o afastamento de Collor, que hoje faz parte da base do presidente. No entanto, a liderança do movimento incluía muitos políticos de outros partidos e instituições da sociedade civil, como a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil.

Não bastassem omissões e exageros no trato da história, o site também peca na extensão da biografia de Lula, que é maior que a de todos os outros presidentes da República, como ainda inclui uma biografia de dona Marisa - a única primeira-dama brasileira que tem a vida relatada aos jovens internautas.

O nome que se dá a isso há algum tempo é o de "culto à personalidade" e a pedagogia que dela deriva pode produzir efeitos desastrosos. E aí é que se chega ao X do problema: transformar o site da instituição Presidência da República em peça de propaganda político-pessoal é misturar a coisa privada, particular, partidária, com a coisa pública. Em poucas palavras, é ser anti-republicano.

Vale encerrar lembrando que a idéia de República, nos tempos modernos, sempre caminhou ao lado do conceito de uma educação sem doutrinação, em especial nas repúblicas verdadeiramente democráticas.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.

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